jardins viventes

Múltiplas abordagens etnobotânicas são possíveis no meio urbano; comecemos com as mulheres. Elas cuidam de quintais e guardam a biodiversidade das plantas, conhecendo sua riqueza alimentar, medicinal, ornamental, diferenciando aquelas plantas que protegem e guardam as casas. Muitas das plantas contam histórias de amor e afeto. Desse contexto das plantas e das mulheres, pensemos nas relações entre os viventes. Na bacia do Cercadinho ecossistemas são produzidos pelas relações entre os diversos viventes, constituindo redes de interdependência a partir das afetações entre eles. A noção de jardim é ampliada para uma simbiose bio relacional e a bacia é entendida como uma outra cosmologia, e não apenas como uma área por onde se delineia um córrego.

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Uma das 5 missões da Mostra é levantar as múltiplas abordagens etnobotânicas do território urbano.  Entre os escolhidos para a viagem, achamo-nos, a Luiza para a botânica, a Elisa para o afeto, a Sarah para os cultivos nativos em quintais ciliares, a Carla para articulação local e cultivos públicos e a Núria para invenção de espaços plantados. A honrosa escolha recaiu em nós cinco e recebemos, portanto, a 5 de Setembro de 2020, o aviso de seguir viagem quanto antes para a Bacia do Cercadinho, na zona oeste da megalópole Belo Horizonte. 

Empecilhos supervenientes obrigaram, entretanto, os curadores a adiarem  por algum tempo a expedição. Pouco depois, os curadores manifestaram à Prefeitura o desejo de que se empreendesse a viagem, mesmo com as situações adversas. Considerando a situação atual traçamos estratégias para alcançar o território de estudo. Para a jornada em questão, nos preparamos com internet, wi-fi, computadores, celulares, máquinas fotográficas, gravadores, fones de ouvido, aplicativos de georreferenciamento em três dimensões, redes sociais, cartas por e-mail e aplicativos de reuniões, máscaras e álcool em gel.