convocatória

inscrições encerradas!

resultado do edital

jardins viventes

Carla Magna
Luiza F. A. de Paula

Núria Manresa
Sarah Costa Martins Silva
Elisa Marques – voluntária

 

histórias locais

Duo Paisagens Móveis (Bárbara Lissa e Maria Vaz)

Pablo Ricardo Cardoso

Guto Borges

 

nascentes e matas

André Siqueira

Gabriela Luíza
Luciano Emerich Faria

morar na bacia

Aline Franceschini

Leonardo Bicalho Polizzi (Grupo Águas na Cidade)
Vitória Bispo

 

economia dos afetos

Clarice Flores Fialho

​Lila Gaudêncio

Tânia Maria Santos

Júlia Ho – voluntária

pinturas de território

Maria Cecília Rocha Couto Gomes

Olívia Viana

Cássia Franco – voluntária

edital

sobre

A ecologia é o que une a todos os viventes humanos e não humanos – somos uma grande rede social viva e global. No entanto, enchentes, secas e pandemias, fenômenos agravados no Antropoceno, são desdobramentos de uma relação conturbada entre aqueles que compartilham o planeta, resultado de regimes políticos predominantemente predatórios e de uma ocupação conflitante do território.

 

Estamos em Belo Horizonte, cidade cujo princípio de ocupação territorial foi pensado a partir do traçado das vias e do parcelamento da terra, e onde córregos foram tamponados e violentados ao longo da história, sendo poucas as águas – nascentes, córregos e ribeirões – que restam a céu aberto e que são vividas como espaço social e ecológico.

 

Microcosmo dessa violência, a bacia hidrográfica do Cercadinho localizada na região oeste da cidade possui dois córregos principais – Cercadinho e Ponte Queimada –, que, mesmo que ainda permaneçam em seu leito natural em alguns trechos, são desconsiderados e maltratados. Entretanto, teríamos aí uma possibilidade de pensar e fazer o território habitado a partir de outro princípio? Podemos inverter a lógica de ocupação do território e partir da bacia hidrográfica, ou mesmo, partir do aquífero? Que transformações ocorreriam no território se mudássemos nosso ponto de partida?

 

Criamos a 1ª Mostra Córregos Vivos para ser esse laboratório de investigação, experimentação, debate e proposição, na região da Bacia do Cercadinho, produzindo propostas que friccionem o imaginário, articulando espaços e populações. 

 

Seis grupos de trabalho serão formados a partir de temáticas que relacionam as águas com o contexto vivo: histórias locais, nascentes e matas, jardins viventes, morar na bacia, economia dos afetos e pinturas de territórios. As propostas serão desenvolvidas durante o isolamento social e tornadas públicas nesta plataforma virtual. 

 

A 1ª Mostra Córregos Vivos constará das proposições, de debates, catálogo, e materiais pedagógicos.

 

temáticas

histórias locais

Censos, atlas e museus: estatísticas que definem um povo, sua localização geográfica e história de origem; contra tais narrativas oficiais, há de se discutir quais as gentes que habitam a bacia do Cercadinho, quais múltiplas geografias são produzidas diariamente no território, quais histórias são narradas e compartilhadas pela memória pelos-as moradores-as. Assim, pretende-se construir um espaço virtual das visões e práticas junto à água, tendo a bacia do Cercadinho como contexto de trabalho, explorando os modos de viver desdobrados em narrativas e imagens. Entre lembranças pessoais, documentos oficiais e produções autorais, quais os rastros e vivências permanecem ou podem ser resgatadas?

 

nascentes e matas

Hoje são mais de mil nascentes cadastradas em Belo Horizonte, conforme registro da secretaria municipal de Meio Ambiente da PBH. Na bacia hidrográfica do Cercadinho existem várias nascentes ainda preservadas que somam suas águas aos córregos Cercadinho e Ponte Queimada. Em 1990, uma área de proteção ambiental foi criada por decreto estadual para proteção da bacia, entendendo a importância desse manancial. Mas as nascentes e áreas de proteção ambiental sofrem constante pressão do mercado imobiliário. Como trabalhar com essas duas forças? O que é possível propor? O que seria pensar as águas – nascentes, córregos, rios – e as matas como elementos estruturantes de uma cidade, para além da lógica de áreas de proteção que excluem a vida cotidiana de humanos?

 

jardins viventes

Múltiplas abordagens etnobotânicas são possíveis no meio urbano; comecemos com as mulheres. Elas cuidam de quintais e guardam a biodiversidade das plantas, conhecendo sua riqueza alimentar, medicinal, ornamental, diferenciando aquelas plantas que protegem e guardam as casas. Muitas das plantas contam histórias de amor e afeto. Desse contexto das plantas e das mulheres, pensemos nas relações entre os viventes. Na bacia do Cercadinho, ecossistemas são produzidos pelas relações entre os diversos viventes, constituindo redes de interdependência a partir das afetações entre eles. A noção de jardim é ampliada para uma simbiose biorrelacional e a bacia é entendida como uma outra cosmologia, e não apenas como uma área por onde se delineiam caminhos de águas.

 

morar na bacia

Morros, serras, picos, chapadas e fundos de vale definem o padrão de drenagem das águas da chuva ou nascentes, direcionam o escoamento das águas, e as levam para as partes mais baixas. As bacias possibilitam manter os biomas e atividades da vida cotidiana e econômica. Quais modos de morar existentes, ou que podemos projetar para o futuro, que possibilitariam relações entre os viventes, combinando águas e matas, e não sua separação ou exclusão?  Aqua clubes residenciais, Eco Vittas, Village Viveres, Greenports condominiais: todos lindos nomes que remetem à ecologia – água, vida, viver, vilas, eco, green... grandes terraplanagens em solos de filito, torres, conjunto de casas de luxo, áreas de lazer, cercas e muros separando-os dos córregos e matas. Quais outros modos de vida e de espaços são possíveis?

 

economia dos afetos

Renda básica e cidadã, economia solidária, moeda social são termos e conceitos que apontam para uma economia baseada não em valores monetários abstratos mas sim em afetos próximos e locais compartilhados. Assim, pensando as águas da bacia do Cercadinho como vivente carregado de afetos produzidos, quais valores podem ser negociados? Quais moedas e imagens podem ser pensadas?

pinturas de território

Território da água: gentes, plantas, extensões de terra, paisagens, bichos, terreiros, quintais, vistas aéreas, mapas. Pinturas em conversas com pessoas, seus cotidianos, seus álbuns de família, google streetview e narrativas.

 

onde

Nas nascentes, margens e redondezas dos córregos que pertencem à bacia hidrográfica do Cercadinho e correm a céu aberto – córrego Cercadinho e córrego Ponte Queimada – abrangendo os bairros Buritis, Estoril, Estrela Dalva, Havaí, Palmeiras e Marajó (região oeste de Belo Horizonte). A bacia do Cercadinho já foi o principal manancial da cidade de Belo Horizonte, possuindo 12,6 Km² de área de drenagem. O Cercadinho e as outras águas da bacia são afluentes do Ribeirão Arrudas, que corta o município de Belo Horizonte no sentido oeste/leste.

 

quem pode se inscrever

Qualquer pessoa ou grupo interessado nas temáticas acima e disposto a trabalhar em equipe. Serão cerca de 12 selecionados-as para compor os seis grupos temáticos. Outras pessoas que quiserem participar como voluntárias também serão bem-vindas.

 

com quem

Os projetos das equipes temáticas serão realizados junto com moradores-as e/ou coletivos da região, de modo que as ações propostas possibilitem trocas e continuidade.

 

como

As relações com a comunidade se darão via mídias digitais e poderão desdobrar-se em ações presenciais desde que respeitados os cuidados exigidos no contexto da pandemia. Os processos e propostas serão instalados nesta plataforma digital, de modo a compor a 1ª mostra córregos vivos.

 

mostra

A mostra acontecerá através desta plataforma digital, que terá diferentes experimentos colaborativos, utilizando diversas tecnologias, dentre elas as conexões convencionais de áudio e vídeo, mídia interativa e internet das coisas. Os trabalhos poderão utilizar de textos, fotos, desenhos, áudios, vídeos, podcasts, cartazes, panfletos, ações, documentos etc.

 

debates e seminário

Os grupos participarão de debates, que ocorrem durante o processo dos trabalhos e abordam temáticas que colaborem com seu desenvolvimento. O seminário ocorrerá após a finalização dos projetos, com discussões com convidados externos. Todos serão realizados virtualmente.

 

quando

As inscrições acontecem entre 17 e 31 de agosto de 2020. O resultado dos-as selecionados será divulgado no dia 02 de setembro, e o desenvolvimento das propostas acontecerá entre setembro e novembro de 2020.


 

apoio

Cada grupo terá 5.000,00 para possibilitar a participação nas atividades e custear as propostas. 

*é necessário apresentação de nota fiscal e, no caso da não realização das atividades, o grupo deverá devolver os recursos recebidos.

disponibilidade 

É necessária disponibilidade para reuniões virtuais com a equipe coordenadora, no período de setembro a novembro, às sextas-feiras à tarde. Também, disponibilidade para participar dos debates, seminário e do processo de trabalho da equipe, entre setembro e novembro.

 

dúvidas

No caso de dúvidas, escreva para corregosvivos@gmail.com.

Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Projeto nº1243/2017.

fale com o projeto:

corregosvivos@gmail.com